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Artigo: Planejamento para a potência do futuro

05/06/2024

*Por Lino Cançado

A crescente demanda por eletricidade torna vital que o Brasil adote um planejamento que forneça a previsibilidade necessária para que o setor de energia faça frente aos desafios impostos pelas mudanças climáticas, sem perder de vista a confiabilidade de seu sistema elétrico. Nesse cenário, o Ministério de Minas e Energia (MME), com o objetivo de garantir um fornecimento seguro, estável, sustentável e inclusivo, deverá fazer este ano um novo leilão para a contratação de reserva de capacidade de potência.

O leilão de reserva de capacidade de potência é um processo em que o governo contrata empreendimentos para permitir um suprimento de energia elétrica com confiabilidade. Essa reserva é acionada em momentos de necessidade, garantindo que não falte potência. As empresas participam de um processo competitivo de leilão, oferecendo propostas sobre quanto de capacidade podem fornecer e a que custo. Os contratos são então concedidos às ofertas mais vantajosas, de menor custo, assegurando um fornecimento estável e confiável para a população.

A confiabilidade e a segurança são especialmente importantes em um contexto de crescente eletrificação e penetração de fontes intermitentes de energia, como solar e eólica. Nesse cenário, as usinas térmicas, com destaque para aquelas movidas a gás natural, apresentam o atributo natural de confiabilidade, pois funcionam independentemente de chuva, vento ou radiação solar.

Os leilões de reserva de capacidade incentivam a diversificação da matriz energética do país, promovem o desenvolvimento de fontes de geração e reduzem nossa dependência de um único recurso energético, o que aumenta a resiliência do sistema elétrico em cenários adversos. Esses leilões são realizados para garantir que, no futuro, não falte potência para os consumidores. O governo já prevê que a demanda vai aumentar, e os leilões ajudam a se preparar para isso, assegurando que haverá suprimento suficiente para todos.

Garantir um fornecimento contínuo de potência é essencial para o funcionamento da sociedade. Sem ela, muitas atividades do dia a dia seriam impossíveis, desde o funcionamento de hospitais e escolas até a iluminação de ruas e o uso de eletrodomésticos em casa. Portanto, os leilões de reserva de capacidade são uma medida importante para manter a vida em sociedade funcionando sem interrupções.

De acordo com o Planejamento Anual da Operação Energética 2024-2028, as projeções do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), em colaboração com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), indicam que a demanda por energia elétrica no Brasil deve crescer, em média, 3,3% ao ano. No entanto, esse aumento pode ser ainda mais acentuado, especialmente se o país se tornar um destino atraente a novos investimentos, como é o caso dos data centers.

Os data centers, que suportam Inteligência Artificial, computação em nuvem e mineração de criptomoedas, demandam muita energia/potência e precisam de fornecimento constante. Embora desafiem o planejamento energético, representam uma grande oportunidade econômica para o Brasil.

Segundo a Morningstar, os data centers consumiram cerca de 460 TWh em 2022, e esse consumo deve dobrar até 2026, ultrapassando 1.000 TWh, equivalente à demanda de países como o Japão. Na Virgínia, EUA, o maior mercado de data centers, já há dificuldades para fornecer potência suficiente, fazendo com que empresas busquem locais com custos baixos, boa infraestrutura e energia confiável.

O Brasil tem uma grande oportunidade de atrair investimentos em data centers. O país possui uma vantagem competitiva significativa devido à sua vasta oferta de energia renovável e ao potencial de produção de gás natural. Esses recursos podem fornecer energia de maneira econômica, confiável e sustentável, apoiando a nossa reindustrialização.

No entanto, o tempo é essencial. A expansão da Indústria 4.0 já é uma realidade global, impulsionando a demanda por equipamentos de geração firme, como turbinas a gás. Isso exige uma ação clara e decisiva do governo para aumentar a oferta de geração confiável e sustentável, incluindo a geração a gás natural, tanto a curto quanto a médio e longo prazo. Tal ação permitirá que as empresas de energia se preparem adequadamente para atender a essa crescente demanda setorial.

No contexto brasileiro, a rápida confirmação dos leilões de capacidade é essencial para assegurar o comprometimento dos fornecedores com os projetos de energia locais. A falta de equipamentos adequados para os projetos vencedores nos leilões poderia comprometer o planejamento e a expansão da capacidade energética do Brasil, o que é vital para sustentar o crescimento econômico e atender às futuras necessidades de energia e potência.

Portanto, é crucial que o governo brasileiro realize os leilões de capacidade dentro de um cronograma estratégico e com clareza na demanda ainda em 2024. Isso permitirá que os geradores possam planejar e garantir os recursos necessários com antecedência. Esta medida é essencial para mitigar riscos à segurança eletroenergética do país, especialmente diante do cenário global competitivo e acelerado de aquisições de equipamentos de energia renovável. A confiabilidade do sistema e as oportunidades de novos investimentos do país dependem, portanto, da nossa diligência no planejamento do futuro.

*Lino Cançado, CEO da ENEVA, é engenheiro mecânico (PUC-Rio) com mestrado em gerência de projetos de desenvolvimento de óleo & gás (Heriot-Watt University, Edinburgh, na Escócia).
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